Little bird


A estação havia chegado e com ela as andorinhas que desde cedo esmaecem a cantar. Eu, um estanho de cabelos castanhos e com um nome de seis letras... Você, alguém de cabelos negros e nome estranho. Era cedo e o tempo ainda despedia-se dos fragmentos da estação passada. Rastros de sangue e algumas feridas que ainda não foram cicatrizadas. Temperatura indescritível, pulsação, aceleração, fixação. Seus olhos de encontro aos meus que agora apenas fogem, caminham por um milhão de milhas.

Nós plantamos nossos beijos onde as frutas silvestres crescem. Our blueberry kisses forever. Minhas bochechas vermelhas aceleravam em direção ao calor da sua pele. Cereja e Amora agora não passam de Ashes and Wine.

E sabíamos o quanto nossos dias estavam contados.

Os pássaros de verão voam para o sul quando o outono chega.


As folhas mudaram suas cores e as pracinhas estavam cheias, meu casaco remendado já não me protegia do frio. Os dias eram longos e as noites tão frias, as páginas viraram e as histórias foram expostas. Os campos que percorremos eram dourados, agora eles apenas embarram minhas botas. Os lobos uivaram pela minha alma perdida, meus sentimentos caíram num profundo e escuro buraco, agora estou comigo mesmo.

O sombrio olhar contemplado de todos os dias escondidos dentro do meu coração. As notas no piano agora me lembram do meu passado.

Dos meus pés brotaram asas e eu voei todo caminho até minha casa, em mais “uma única” vez. Não sabia onde estavam suas asas, não pude percebê-las, dessa forma entendi que não podia seguir comigo.

E a mão pálida do inverno ainda está para chegar.

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