DESCONEXÕES: AMOR



O que escrever sobre amor? Falar coisas bonitas, agradáveis, utópicas? Amor não é tão simples, não se faz acontecer em minutos. Sentir o amor é delicado, dedicar amor... Complicado. Cultivar este sentimento, mais difícil ainda. É necessário passar por períodos de entressafra, sobreviver ao frio do inverno e ao cair de flores e folhas no outono.

Amor não é coisa doce.

Exige-nos a habilidade de um equilibrista, o sorriso (mesmo quando triste) do palhaço, a coragem do domador de leões e a ternura presente na beleza dos olhos da bailarina... Solitária, longe, desfeita das ilusões mundanas. E para que tudo isso? Para vivermos como num circo!? Atuando no picadeiro, entretendo a platéia fervorosa e ao final do espetáculo retornar à nossas vidas, à realidade.

Surrealidade: amor? Amor: surreal?

Sim, os espetáculos têm fim. Não são eternos. Nada é eterno. Amor eterno? Amor é terno?
Amor não existe! E se existir ainda não quero saber do que se trata, pois as cortinas de meu coração estão fechadas agora. Ninguém se mantém neste picadeiro. A graça é feita por minha conta, bem como as ilusões. E cá entre nós... Cansado estou!

Tenho dó dos amantes.




Sem coracionarium descontraditorium


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